sábado, 20 de novembro de 2010

o dificil é ser deus



Um dia alguém me disse:
"sou como um pequeno e frágil cristal, que tens nas mãos, tudo e que te é peço é que não me deixes cair"
Talvez tenha sorrido nesse momento, mas estava longe de entender o que isso queria dizer. Hoje entendo que nesse momento era Deus, com um mundo para cuidar, tinha o mundo na palma da mão.
Até essa altura, nunca tinha brincado a "ser Deus" nem nesse momento tinha pedido para o ser, apenas me impuseram tal tarefa, e como uma criança que pensa que sabe tudo, o mais certo é ter dito "nunca te vou deixar cair".
Ah, como era bom brincar a "ser Deus" podia fazer tudo, o mundo não tinha limites, e as coisas funcionavam exactamente com eu queria, bem quase tudo, afinal até Deus tem o diabo a pregar partidas.
O que ninguém me disse foi como se brincava a "ser Deus", foi-me apercebendo (e apercebi-me já tardiamente)que ser Deus estava muito longe de ser fazer o que se quer. Na verdade é bastante complicado, se fizermos só o queremos acabamos mais parecidos com o diabo, se não fazemos nada já não somos Deus...
Eu deixei cair o cristal, talvez me tenha escorregado da mão. A verdade é que por algum tempo disse a mim mesmo que o deixei cair porque não aguentava mais brincar a "ser Deus".
Hoje sei que isso é mentira, eu não sabia como se brincava a "ser Deus".
com o passar do tempo apercebi-me que ser Deus, é ser homem ao mesmo tempo, é perceber que nem tudo esta bem só porque achamos que deve ser assim, é entender que deve haver um equilíbrio, é na verdade, ser o rei e o súbdito num só momento.
E agora que "não sou mais Deus", apercebo-me que ser homem, tem uma só dificuldade, escolher bem o seu próprio Deus...

domingo, 8 de agosto de 2010

Nós


Era eu, um ser errante pela terra de caminhos longos que levavam a lado nenhum, parando em todos os apeadeiros, em busca de uma fonte que me matasse a sede. Desesperado, como um alquimista que procura a pedra filosofal, querendo a todo o custo transformar em ouro, tudo o que no fundo era apenas ferro ferrugento…
E vivia eu assim, confortavelmente apático, num sonho enevoado, onde a luz vinha apenas baça por entre a névoa espessa….
Eras tu, um ser com um sorriso brilhante, um olhar envergonhado, e rosto iluminado.
vi-te ao longe e corri para ti quando me foi permitido. Olhei-te nos olhos, e percebi, não se pode transformar ferro em ouro pode, apenas, agarrar-se o ouro, e foi assim que te vi como ouro que o alquimista procura.
E repentinamente o nevoeiro desapareceu do meu caminho e conseguia ver o final…e lá estavas tu…
Somos nós agora, numa fusão perfeita, cheguei ao fim do caminho e abracei-te, agora caminhamos, nós, juntos, por um caminho que não sendo fácil, é certamente doce e mas agradável de caminhar a teu lado.
Não como um eu&tu mas como Nós.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


"A única maneira de se definir o limite do possível é ir além dele,para o impossível."
Arthur Charles Clarke
é o dilema básico do Homem, quando chega o limite.
Na verdade, nao é um dilema, o Homem sabe quando o limite chega, mas o pequeno prazer de esticar a corda, o ver se é possivel, "serei eu capaz", qual cegueira que nos empurra quando ja nao ha estrada para percorrer...
pior ainda, quand conhecemos o caminho, sabemos ond ele vai dar, o que vai trazer e vamos de peito aberto, com toda a certeza que chegando ao limite, todo vai parar.
é assim o maior extasie da vida.
O caminho pelo limite, esticar de uma corda, ate ao esmagar da laranja...
e foi, passamos o limite, não ha nada para alem dele, so tudo aquilo que sabíamos que poderíamos ter evitado...
Lutamos com monstros, porque, somos monstros, porque a luta muitas vezes ja acabou, é tempo de render, ou virar as costas, a batalha ja acabou, e muitas vezes sem vencedores nem vencidos...apenas derrotados.
No entanto que bom é atingir o limite, quando dele resulta uma meta, o cortar da fita, em que mais uma vez não há vencedores nem vencidos...apenas vitoriosos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Olhei para ti, e tu olhaste de volta, e de repente o mundo deixou de rodar, o tempo parou, e eu olhava inexoravelmente para ti, via os teus olhos na minha direcção e o mundo em torno de nós parado. Então percebi!!! Não olhava apenas para ti, olhava para mim, no mesmo instante em que te via, porque depois daquele momento tu só poderias ser parte de mim, o mundo sem ti não seria capaz de voltar a girar idilicamente...
Um dia acordei e pensei que não mais sentiria um ser desta forma,o mundo não ia mais parar para mim, e todas as pessoas eram iguais...mas o tempo é sempre tanto para quem espera e tão pouco para quem tem pressa, sem que as vezes nos apercebermos que tudo tem o seu próprio tempo...
Continuo sem saber o que é o amor, apesar de já o ter definido, mas já não encaixa em mim essa definição, sei que sou capaz de amar num momento, num olhar e sei que dai pode vir o sagrado sentimento, mas não sei o que ele é...
É bom caminhar para o desconhecido, parece-me que caminho assim ao teu lado como se segurássemos uma vela que ilumina o caminho escuro, e que vai sendo passada da minha mão para a tua e da tua para a minha, e assim deve ser porque na verdade nunca serei a tua luz sem que no momento seguinte tu sejas a minha, não sou apenas eu que ilumino o teu caminho, mas és tu que iluminas o meu de forma igual.
É assim, porque do pouco que sei, aprendi que a vela não deve permanecer de um só lado, porque as pedras estão em ambos os lados e aquele que leva a vela pode acabar cegado pela sua luz. Ninguém tem razão sempre e não quero ser aceite quando não a tenho, prefiro que me olhes e digas que não é assim, a luz nunca esta só de um lado...
Ninguém conhece o caminho para a felicidade, porque a felicidade não é uma meta mas o caminho em si mesmo, e esse não deve ser percorrido sozinho...

segunda-feira, 15 de março de 2010

amor & paixão


"Sou demasiado orgulhoso para acreditar que um homem me ame: seria supor que ele sabe quem sou eu. Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse um homem da minha condição." Friedrich Nietzsche
Apesar da discórdia que desde logo tendo a percepcionar, em relação a frase, uma vez que de todo acredito naquilo que se designa de "amor", parece-me que se espelha nela a grande diferença entre o amor e a paixão.
A maior parte das pessoas parece ver a mesma coisa quando a mim se mostram severas diferenças. Sei que já amei, e sei também que já me apaixonei, na verdade vejo a paixão como o primeiro sentimento, que se tem antes de vir a amar alguém, quando olhamos para alguém e nos apaixonamos, nem que seja só pelo olhar. O amor não é assim, o amor é mais profundo, não surge, é antes criado e alimentado, na verdade acredito que se ama alguém da mesma maneira que se vai conhecendo esse alguém.
Quando, conhecemos uma pessoa e logo nos apaixonamos por ela, nasce um desejo, as vezes um tanto ou quanto carnal, que nos faz ficar a olhar, a observar, e nos faz querer, tentar alguma coisa; isso nunca será amor, quando e se realmente chegarmos a essa pessoa, e ainda se a paixão não morrer por um qualquer motivo, ai seremos capazes de estar com essa pessoa, de a conhecer um pouco e o amor começa a nascer, sente-se o amor, quando e apesar de nem sempre o desejo estar aceso, existe uma necessidade de estar com essa pessoa, porque na verdade, nos sentimos bem, porque gostamos da mera presença, sem necessidade de pedir mais, como se o mundo gira-se naquele lugar. E assim é o amor, um sentimento que se desenvolve a medida que se conhece alguém, e que só existe nessa mesma medida.
A paixão morre com o tempo, e volta a nascer novamente, e ao longo de uma só relação isso pode e deverá acontecer vezes e vezes sem conta.
Seja pois a paixão um rio e o amor o oceano, o rio chega ao oceano para o ajudar a encher, mas entenda-se que só por falta desse rio o oceano não ira desaparecer, porque outros rios nasceram e outras aguas contribuíram para o seu crescimento.
Posso dizer que muitas pessoas já amei, e muitas vezes me apaixonei, amo pois amigos meus, porque como disse, sinto-me bem com eles, e são pessoas fantásticas, apaixonei-me por algumas mulheres, algumas que nem de paixões passaram, pois já nem as sei.
Mas, sabemos que é amor quando somos capazes de beijar aquilo que a outra pessoa aponta como defeito próprio, deitar sobre ele a nossa cabeça, e tirar dai todo o prazer do mundo.
Assim digo, de sorriso rasgado, já tive o prazer de juntar o doce com o amargo, de me apaixonar e depois amar

domingo, 14 de março de 2010


A vida é em si mesma, uma constante busca. todo o ser que vive realmente busca alguma coisa. Uns buscam por poder, outros por dinheiro, outros por amor, há ate quem busque por emoção, mas na verdade a busca resume-se apenas à felicidade.
O grande problema é que a maior parte de nós, não sabe onde está essa pedra filosofal, capaz de transformar toda a vida vivida em um futuro persistentemente, feliz.
Em mim mesmo dou conta que já fui feliz, mas quando era não sabia que o era, dessa forma não sei dizer agora se o sou ou não, pois talvez seja só não me estou a dar conta.
Encontrei-me deitado a beira rio, e ver o rio a correr, e os patos a nadar, o sol a queimar-me a cabeça, e por momentos senti que estava realizado. Lembrei tantos momentos em que me senti assim, momentos que deixei para traz e que nunca mais viram, porque a vida nunca se repete. Apercebi.me que o mundo não vai parar e que a felicidade nunca será permanente, mas também me dei conta que de cada vez que me senti assim fui um passo na direcção certa. Tenho os meus objectivos, são grandes coisas que pretendo fazer, mas acabei por me aperceber que essas grandes coisas, sem as pequenas, não são mais que um vazio realizado.
Fernando Pessoa disse "Se te é impossível viver só, nasceste escravo" na minha loucura afirmo, que não se pode ascender a felicidade, sem que se possa partilhar-la.
Serei feliz se tiver num qualquer horizonte o pôr do sol e o brilho de um sorriso partilhado...
Louco talvez, mas quem pode afirmar que um louco não é feliz, sem ser ele mesmo um louco.

sábado, 6 de março de 2010

Olhar


"Quando se esta só muito tempo, quando nos habituamos a estar sós, quando nos treinamos para estar sós com a nossa solidão, se descobrem cada vez mais coisas em todo o lado, onde para os outros não existe nada"
Não sei se estarei só a muito tempo, mas as vezes sinto-me como se estivesse numa solidão prolongada, sem fim a vista, e nesses momentos pareço, de facto, ser capaz de ver para alem do mundo, do vulgar lugar, e pareço descobrir coisas novas onde só existem as mesmas enfadonhas velharias...é como se a solidão nos obrigasse a olhar um pouco mais fundo, e de repente somos seres sozinhos mas capazes de apreciar uma simples brisa que nos toca a cara, a mesma que tanta vez o fez sem que percebêssemos o quanto sabe bem o seu beijo.
E assim as vezes olho, e sou capaz de perceber, a beleza da chuva a cair, ou de uma criança a correr feliz no meio da rua, até a beleza da paisagem que se avista da varanda e que sempre esteve ali durante anos a fio sem que ninguém a olha-se.
Sei que isto realmente acontece, porque na falta de alguém olhamos para tudo com uma esperança diferente, talvez a de encontrarmos uma qualquer pessoa que nos olhe de volta, mas no meio de tal procura, deparamos-nos com a beleza do que sempre esteve nos lugares que em nada mudaram.
Por momentos torna-se bela a infelicidade de estar só.
Agora penso, que de cada vez que te olhei, devo ter falhado. Falhei quando olhava para ti, certamente porque não era capaz de te ver com este olhar que agora tenho.
Na verdade sei que um dia fui capaz de percepcionar-te assim, no dia em que te vi pela primeira vez, no mesmo dia em que me apaixonei por ti... Vi-te com estes olhos sozinhos que agora tenho, e sim, lembro-me que, possuías de uma beleza única, que em ti nunca se irá perder....e tu olhaste-me de volta, e de-repente a minha solidão desapareceu...
Um dia ter deixei de te olhar, e de ver tudo isso que tu realmente és...deixei que o tempo fecha-se os meus olhos e transformei-me em pedra.

segunda-feira, 1 de março de 2010

a ignorancia e a felicidade


É estranho o mundo em que me vejo a viver, olho a minha volta e tudo o que vejo é gente parada, alguns com uma força tremenda e ainda assim com uma quietude mórbida de quem nada vai fazer. E eu, bem eu as vezes deixo-me levar nesta corrente que me arrasta. Nem sempre me sinto com forças para nadar.
Sou um ser petrificado, como uma gargula a espera que a noite caia para acordar, e fico a olhar para aquela luz em que um dia vivi, com saudades do tempo que já la vai. É certo que tenho agora que aprender a viver na escuridão da noite, mas um dia voltarei a sentir o sol a queimar-me a cara, e nadarei fortemente contra esta corrente nocturna e turbulenta em que me arrasto.
No entanto, e enquanto esse dia não chega, por vezes, encosto-me a algumas ilhas no meio do rio, para descansar, aproveito para repor energias, e vejo tolos como eu que se arrastam nas águas e se deixam levar. Será que também eles têm consciência que estão a ser arrastados? Na verdade parecem tão felizes, chego a pensar que foram sempre gargulas, que nunca viram o sol...
A ser assim poderia dizer-se que a ignorância é felicidade, mas na verdade e contrariando essa ideia, julgo que aquele que ignora que o sol existe, não é feliz, apenas se limita a viver arrastado sem conhecer realmente o sol que brilha na margem deste triste rio.

"A espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que eu quero, mas a de não fazer o que eu não quero" Rousseau
É de facto mau pensar que podendo fazer-se tudo o que se quer, as vezes se faz o que não se quer fazer. Pensar que tantas vezes o fiz, mesmo sem querer. por vezes o mundo puxa-nos, e tem uma força superior a nós, como se de imperativos viéssemos, coisas que querendo ou não acabamos por fazer. Mas na verdade, de todas as coisas más que fiz, tive em quase todas elas escolhas, hipótese de não as as fazer, mas a fraqueza de mim se apoderou, e nos mesmos erros já cometidos voltei a cair.
é verdade que a felicidade e também a liberdade esta no podermos dizer NÃO, e não mesmo.
De facto apodero-me da frese de Rousseau porque em mim se afigura como verdade, e é verdade que preciso de fazer o que quero, e acima de tudo não fazer o que não quero, apesar de tantas vezes o mundo me abrir esses caminhos inicialmente brilhantes, mas onde a luz raramente tende a permanecer, dando lugar a mais profunda escuridão.
Olha para mim, bem para o fundo dos meus olhos e diz-me, acreditas mesmo que a felicidade esta em fazer tudo o que se pode, ou escolher o que se faz? já acreditei que só me arrependia daquilo que não fazia, mas agora sei que me arrependo também de coisas que fiz. vou cometer mais erros, e tu também mas, espero que, um dia me digas, e eu pense o mesmo mim:
Cheguei ao cimo da montanha e que belo foi o meu caminho

sábado, 13 de fevereiro de 2010


Hoje sonhei contigo, foi um sonho estranho, um pouco fora do vulgar, como são todos os sonhos, abre-se uma porta e zasss, estas do outro lado do mundo...mas não foi bem isso que aconteceu.
Lembro-me de estar deitado no teu peito nu, com a cabeça encostada a parte superior dos teus seios, não me lembro de nada antes, na verdade no sonho é como se eu sempre estivesses estado ali, como se a minha cabeça fosse uma mera prolongação dos teus seios, e aquele fosse o meu lugar. Lembro-me de caírem lágrimas dos meus olhos, que suavemente percorriam o teu corpo...e tu inclinando a cabeça um pouco, perguntaste:
-Porque estas a chorar?
-Não sei, mas sinto-me bem aqui, poderia permanecer assim eternamente - respondi eu e
de repente parecia que eu era mais pequeno que tu, o teu corpo parecia o mundo, os meus braços agarravam-te e os teus caiam sobre as minhas costas de forma ternurenta.
Eu levantei-me e tu perguntaste:
-Onde vais?
-Vou só buscar um pouco de água, já volto para esse lugar - respondi com um sorriso iluminado, de quem encontrou um oásis no deserto.
Reparei que a cama onde estávamos era rodeada de um véu verde água transparente, e o quarto era cheio de cor.
Dirigi-me à porta, abri-a e do outro lado não havia nada, era uma zona escura apenas com uma luz tremula vinda de um qualquer lado que não se percebia. Repentinamente sinto alguém tocar-me, viro-me e era um velho com cabelo grisalho e barba de dois ou três dias, antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele olha para mim e diz:
- o sábio, não é aquele que sabe onde o caminho vai dar, é antes aquele que sabe de onde ele vem, pois no caso de se enganar numa encruzilhada, ele saberá sempre voltar atrás para retomar o caminho certo.
O velho desapareceu da mesma forma que chegou, no meio da escuridão, e eu sem sequer me lembrar da dita água, voltei a abrir a porta do quarto, olhei para a cama e tu já não estavas...

sábado, 6 de fevereiro de 2010


Hoje levei uma facada, que duro golpe foi que acertou em cheio no coração já desfeito, senti a dor entrar-me pelo corpo tremo-lo e o coração a sair por entre o golpe.
O que mais me feriu, foi saber que fui eu, e apenas eu, que te deu a faca para a mão, e que te obrigou a golpear-me.
Mas eu sabia, ou deveria saber que seria assim, o mundo não para só porque pedimos, e todos aqueles que oferecem espadas, acabam trespassados pela lamina, quem com ferros mata, com ferros vai morrer.
Parei e dei comigo a cair, mas a queda não foi longa, já estava muito perto do chão, ainda assim, talvez te deva agradecer, por teres acabado com aquilo que eu comecei, se o meu golpe não me matou, o teu tirou-me toda a vida....
Levantei-me, inspirei o ar rarefeito da sala vazia, e comecei a andar...olho para o corpo morto, e reparo, que dificilmente aquele corpo vai voltar a viver...
Sou apenas eu agora, outra vez, mas agora mais rico em conhecimento, a procura de um novo corpo. Nunca vou viver o mesmo, mas viverei o novo, com a consciência do que errei no antigo, podendo agora desviar-me os buracos em que o fiz cair, e assim espero viver eternamente...

o sonho


"É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber" sigmund freud
Abstraindo o sentido que o autor queria dar a frase, o facto é todos dizemos que é o sonho que comanda a vida, mas não basta sonhar, porque passar a vida a sonhar e só sonhar é nada fazer. Temos mesmo que nos levantar e fazer alguma coisa, é preciso ter força e lutar, efectivar o sonho, torna-lo realidade. É também preciso nunca deixar de sonhar, deixar de ter sonhos para realizar, afinal a vida é, ela mesmo uma luta de criação e realização de sonhos. É verdade que a felicidade não esta no cimo da montanha, esta na subida, por isso não devemos parar de subir, de viver.
Cai o pano, acaba a peça, mas mais peças serão encenadas, e a vida é uma roda que não deve para de girar.
Juro não para de sonhar, quero sonhos para ter um porque para lutar.
Não fiques à espera que o sonho se realize sozinho, faz dele o teu objectivo, o teu fim, e assim o sonho será apenas um principio em ti.
Sonhei com tanta coisa, e com coisas das quais já nem me lembro, sei que não realizei todos os sonhos, sei até que esqueci o rosto de alguns deles, mas no entanto novos rostos apareceram, novos sonhos vieram, e sempre acordado, porque não se deve sonhar a dormir, lutei, as vezes venci e muitas vezes perdi sem lutar (que erro).
Sou um sonhador, que quer lutar, perdi o meu sonho antigo, mas sonho com um novo sonho que ade vir, e luto para que me levante e acorde para matar a minha sede.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ainda te vi


Perdi-me a pensar em ti, perdi-me tanto a pensar em ti, que quando dei por mim já não sabia onde estava. Ouvi-te, e tu falavas, a tua voz continuava a mesma, mas de repente já não eras tu, era só a tua voz, que ecoava na minha cabeça, como uma memoria perdida e desenquadrada. Tentei encontrar-te, e vi-te por de traz da vidraça da janela.
eras realmente tu, tive a sensação de sentir o teu cheiro, mas era só a minha mente a pregar partidas. Tu estavas atrás da vidraça, com um sorriso rasgado, e olhos brilhantes. Tenho a certeza que eras mesmo tu, os meus olhos nunca me enganaram.
As minhas mãos já não te podem alcançar, só aos meus olhos é permitido. Estás para la da janela, como não dei conta de saíres!?
Pareces mais bela que nunca, é o teu sorriso eu sei, foi sempre parte de ti, e eu quase me esquecia...
Ainda gritei, acho que não ouviste, é este vidro que não deixa passar nada. Sou eu que não te vi sair, ou que não sai contigo.
Estas linda, mas vou afastar-me da janela, o vidro nunca me deixara passar, e já pareço um insecto, a bater num vidro que não vê porque só é capaz de ver a luz que esta para la dele.
Sei que também a tua voz vai desaparecer, e vou deixar de te ouvir, e quando voltar à janela, provavelmente tu já não vais estar la, vais embora, afinal nem me viste; mas vou guardar a tua imagem, porque os meus olhos nunca me enganaram...

"Of course there is no formula for success except perhaps an unconditional acceptance of life and what it brings." Arthur Rubisnstuein
A verdade, que devemos lutar por tudo o que queremos, e por aquilo em que acreditamos, mas devemos ter sempre o discernimento necessário, de saber quando parar, e aceitar, o estado em que nos encontramos, vencedor é aquele que vence a luta, sábio aquele que sabe admitir a sua derrota. À lutas perdidas, mas outras lutas tomaram o seu lugar, só aceitando seremos capazes de seguir, de restabelecer e encontrar novas batalhas.
Todos lutamos contra monstros, as vezes por tanto tempo que já nem monstros há, só nós a lutar contra um nada, qual dom Quixote a lutar com moinhos de vento, o facto é que os monstros já não estão, e não porque os vencemos, pois a ser assim teríamos dado conta, na verdade eles não estão porque venceram e foram embora, e nos lutamos agora para nada e contra nada.
Sim, temos os nossos dogmas, essas verdade que vemos como absolutas, e que ao longo da vida iram mudar, modificar, e redefinir-se, formando novas verdades, novos princípios, para novos fins.
Afinal "quem ganhou ganhou, e quem perdeu ade ter mais cartas para dar"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


"Torna-te naquilo que és" friedrich nietzsche
Se tu mesmo, não ajas, para que gostem de ti, pois nunca dessa forma iram gostar-te realmente.
Virtude é sermos nós próprios, mesmo que isso implique criar dissabores, nos outros, aqueles que não gostam ou não aprendem a gostar não te iram valer de nada.
Como poderá alguém ama-me se ama aquilo que eu criei para ser amado e não aquilo que eu realmente sou.
Desta forma se formos nós mesmos, ninguém poderá cair no erro de nos amar por aquilo que criamos. É certo que devemos ser hipócritas uma vez ou outra mas devemos evita-lo perante aqueles a quem realmente importa mostrar amor...
E assim poderás dizer:
Assim se algum dia te ofereci flores, não o fiz para te impressionar, mas sim porque quis oferecer-te flores e se ainda assim te impressionei, sabe que não foram apenas as flores que te impressionaram, fui realmente eu.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O teu espelhO


...se te vires ao espelho o que vês? parte o espelho e tenta ver por entre as fissuras, é ai que está esse animal que se esconde dentro de ti, para la daquilo que podes ver e ouvir...e esse animal és realmente tu...
...e quando te olhas ao espelho, vês tudo aquilo que sempre quiseste ver?, consegues ver para alem dele, e olhar para a tua imagem como quem olha para dentro de si mesmo, afinal o espelho é a janela da alma, e é assim porque quando te vês, consegues olhar para dentro de ti.
pensa bem, és mesmo aquilo que sempre quiseste ser? quando te imaginavas era assim que te vias?
Quanto valemos, o que somos, quem vemos no espelho?
Um homem com fé na sua honra, ou um teimoso que não volta atrás? Uma pessoa decidida que sabe bem o que quer, ou um obstinado incapaz de ouvir outra opinião? Alguém socialmente correto ou um ser influenciado pela sociedade? Um sábio que sabe, ou um tolo que julga saber?
Olha bem para ti, afinal, já todos fomos um pouco de tudo, obstinados e tolos, a olhar para um espelho, onde realmente pensamos ver-nos.