
"Quando se esta só muito tempo, quando nos habituamos a estar sós, quando nos treinamos para estar sós com a nossa solidão, se descobrem cada vez mais coisas em todo o lado, onde para os outros não existe nada"
Não sei se estarei só a muito tempo, mas as vezes sinto-me como se estivesse numa solidão prolongada, sem fim a vista, e nesses momentos pareço, de facto, ser capaz de ver para alem do mundo, do vulgar lugar, e pareço descobrir coisas novas onde só existem as mesmas enfadonhas velharias...é como se a solidão nos obrigasse a olhar um pouco mais fundo, e de repente somos seres sozinhos mas capazes de apreciar uma simples brisa que nos toca a cara, a mesma que tanta vez o fez sem que percebêssemos o quanto sabe bem o seu beijo.
E assim as vezes olho, e sou capaz de perceber, a beleza da chuva a cair, ou de uma criança a correr feliz no meio da rua, até a beleza da paisagem que se avista da varanda e que sempre esteve ali durante anos a fio sem que ninguém a olha-se.
Sei que isto realmente acontece, porque na falta de alguém olhamos para tudo com uma esperança diferente, talvez a de encontrarmos uma qualquer pessoa que nos olhe de volta, mas no meio de tal procura, deparamos-nos com a beleza do que sempre esteve nos lugares que em nada mudaram.
Por momentos torna-se bela a infelicidade de estar só.
Agora penso, que de cada vez que te olhei, devo ter falhado. Falhei quando olhava para ti, certamente porque não era capaz de te ver com este olhar que agora tenho.
Na verdade sei que um dia fui capaz de percepcionar-te assim, no dia em que te vi pela primeira vez, no mesmo dia em que me apaixonei por ti... Vi-te com estes olhos sozinhos que agora tenho, e sim, lembro-me que, possuías de uma beleza única, que em ti nunca se irá perder....e tu olhaste-me de volta, e de-repente a minha solidão desapareceu...
Um dia ter deixei de te olhar, e de ver tudo isso que tu realmente és...deixei que o tempo fecha-se os meus olhos e transformei-me em pedra.

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