
Um dia alguém me disse:
"sou como um pequeno e frágil cristal, que tens nas mãos, tudo e que te é peço é que não me deixes cair"
Talvez tenha sorrido nesse momento, mas estava longe de entender o que isso queria dizer. Hoje entendo que nesse momento era Deus, com um mundo para cuidar, tinha o mundo na palma da mão.
Até essa altura, nunca tinha brincado a "ser Deus" nem nesse momento tinha pedido para o ser, apenas me impuseram tal tarefa, e como uma criança que pensa que sabe tudo, o mais certo é ter dito "nunca te vou deixar cair".
Ah, como era bom brincar a "ser Deus" podia fazer tudo, o mundo não tinha limites, e as coisas funcionavam exactamente com eu queria, bem quase tudo, afinal até Deus tem o diabo a pregar partidas.
O que ninguém me disse foi como se brincava a "ser Deus", foi-me apercebendo (e apercebi-me já tardiamente)que ser Deus estava muito longe de ser fazer o que se quer. Na verdade é bastante complicado, se fizermos só o queremos acabamos mais parecidos com o diabo, se não fazemos nada já não somos Deus...
Eu deixei cair o cristal, talvez me tenha escorregado da mão. A verdade é que por algum tempo disse a mim mesmo que o deixei cair porque não aguentava mais brincar a "ser Deus".
Hoje sei que isso é mentira, eu não sabia como se brincava a "ser Deus".
com o passar do tempo apercebi-me que ser Deus, é ser homem ao mesmo tempo, é perceber que nem tudo esta bem só porque achamos que deve ser assim, é entender que deve haver um equilíbrio, é na verdade, ser o rei e o súbdito num só momento.
E agora que "não sou mais Deus", apercebo-me que ser homem, tem uma só dificuldade, escolher bem o seu próprio Deus...
