segunda-feira, 25 de abril de 2011


lembro-me daquele rapaz, que corria entre as ervas verdes do campo. ah como me lembro dele, e do brilho que carregava nos olhos, das suas tristezas e dos seus problemas.
lembro-me como as tristezas desvaneciam com o sorriso de alguém, e as suas lágrimas enxutas, pelo beijo quente.
esse rapaz que um dia fez promessas a ele próprio, promessas que é verdade foram cumpridas, durante algum tempo, ate se aperceber que nem sempre o mundo compre as suas. Lembro-me desse rapaz crescer, e cair muitas mais vezes, sem que ninguém chega-se...
lembro-me de ele crescer ainda mais, e querer as coisas sozinho, e voltar a cair, mas desta vez levantando-se sozinho ,enxugar as próprias lágrimas, e chegar a sorrir.
sim lembro-me desse rapaz
e agora lembro-me de mim...
perdido nos pensamentos desse rapaz, que o tempo meio que levou...e que por momentos renasceu...
Mas ainda hoje chorei, sozinho a falar contigo, as minhas lágrimas frias que não viste cair, e os suspiros que fingiste não ouvir e os gritos mudos que não quiseste sentir...onde estas?
queria correr para ti, e ter um abraço.
sabes que não gosto de te ver chorar, nem sou capaz de ficar imóvel, prefiro antes abraçar-te, porque realmente o abraço de amor, que quando aquele rapaz chorava lhe era dado, curava todas a ferias...
hoje queria o teu abraço, e não apenas um simples "não posso fazer nada"
mas a tristeza que me tomou veio por todo o lado.
quis levar a tua tristeza, quis dizer-te como era bom cada vez que esses olhos me viam, e o meu nariz sentia o teu perfume. quis dizer-te que a tua mão tem a pele mais delicada que já passou no meu rosto, que a chuva para de cair quando chegas e que os pássaros cantam principalmente para ti...
Mas viraste a cara e disseste que isso não tem importância, baixaste a cabeça e afirmaste, que nada disso era possível... e foste embora, porque é assim, e porque só pode ser assim e porque dizes não poder ser de outra maneira.
e esse rapaz desapareceu, como fumo, e restei novamente eu, sozinho com os meus tristes pensamentos ainda em ti, com a recordação do canto dos pássaros e da luz dos teu olhos, que dizes não existir...

"Não é de morrer que tenho medo. É de não vencer." Jacqueline Auriel


vem buscar-me ó ceifeira, e leva de mim o que queres
já mal posso com o fardo, que me queres roubar.
já o sol não aquece
já sinto o teu frio, mas a tua lamina tarda
e este fardo, que com o caminho se torna mais pesado
se tu desse a ti...

lutar para que?
pelo que?
quem decide os vencedores e os vencidos?
Tu?

que luta é esta? é minha?
sim eu sei que é...
cria-se um monstro, cresce o monstro
morres pela mão do monstro.

vencedores? o que é isso?
já não sou ouvido, que te posso dizer?
pelo que o meu mundo me diz
em nada esse mundo mudou
esta como estava, e de todas a vezes que quis mostrar a mudança...
não, o meu mundo diz que não mudou..

leva este mundo, e o outro, e o outro, leva o que quiseres
vem a mim ceifeira, abraça-me, insensivelmente...