terça-feira, 22 de novembro de 2011


"A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela." Kobo Abe
Desci a rua calmamente, com a cabeça levantada, enquanto a chuva miúda caia sobre mim, cheguei a para um pouco ainda no cimo da rua para sentir a chuva a cair-me no rosto e olhar o céu cinzento de frente enquanto as gotas furavam os meus olhos e lavavam o sal. Depois continuei a descer aquela rua ocupada de automóveis estacionados lateralmente, era tudo tão pouco familiar, como se nunca ali tivesse passado na minha vida. Parei a meio da rua bem do outro lado a olhar para a tua porta, para a tua janela, a janela daquele quarto onde talvez tu estivesses, as paredes velhas do prédio antigo, a janela com uma luz de fundo como que a chamar por mim, deu-me vontade repentinamente de cantarolar uma qualquer canção em tom de serenata ao luar, na beleza de uma coisa ridícula que só um ser apaixonado seria capaz de achar decente, por momentos sai daquele lugar, para dentro daquele quarto onde tu estavas olhei para ti e senti o teu perfume. Foi nesse momento que abri os olhos e vi a tua silhueta na janela, soube que eras tu, reconheceria a forma do teu corpo com a mínima luz sem qualquer esforço...
A chuva continuava a cair-me pelo rosto e eu parecia uma estátua, ate que passou uma senhora de uma certa idade, com um ar meio atarantado e de guarda chuva na mão e que parou e disse, do nada, " o menino ai à chuva ainda se vai constipar, vá para casa, pensar à chuva não o leva a lado nenhum"
Eu então larguei um sorriso amarelo com ar de quem diz "o que tens a ver com isso"; mas apercebi-me que só via a tua sombra, já nem a ti te via, já não vejo o contorno do teu rosto, os teus olhos, a tua pele... talvez até isso já seja parte da minha imaginação. Hoje quando penso nisso não entendo se permaneço apaixonado por ti ou pela imagem que crie de ti depois de tudo, se és tu que eu quero ou aquela sombra da janela que posso desenhar e colorir da forma que mais me convier.
De facto, isso eu não sei, mas a verdade é que nunca mais passei naquela rua, porque me apercebi que as vezes, ate para seguirmos em frente, é necessário dar uma volta...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

get a life


se à expressão que melhor se aplicaria a mim mesmo neste momento, é esta "get a life"
preciso de mudar de vida, já mudei a minha maneira de pensar sobre o que queria mudar, mas continuo preso ao motivo dessa mudança.
porque é que no meio da confusão, não me consigo entender a mim mesmo? quem eu sou? o que é que eu quero? para que continuar a matar-me a mim mesmo? para que perder todas a lutas de forma propositada e intencional? para que entrar em batalhas perdidas? para em nome de quem de mim? mas já não me conheço, onde esta o meu orgulho? onde é que eu fui parar? que sitio é este? quem sou eu mesmo? para onde vou? para que andar aqui? ficar aqui? hoje quero desaparecer sair fugir para um sitio onde ninguém me conhece, começar do inicio de novo criar-me outra vez mas longe disto, de tudo o que me rodeia...
mas sim é errado fugir, é perder, é apenas um caminho fácil, que não leva a lado nenhum. o meu lugar é aqui, no meio da minha luta seja ela qual for, é aqui que tenho que crescer, que cair e que me levantar, que morrer e ressuscitar, que olhar para traz e ver que o caminho esta à minha frente, é essa a minha esperança, que este sentimento nunca fuja de mim, que eu nunca perca a ideia que se a morte soubesse o que é a vida, ela própria iria querer viver...