segunda-feira, 15 de março de 2010

amor & paixão


"Sou demasiado orgulhoso para acreditar que um homem me ame: seria supor que ele sabe quem sou eu. Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse um homem da minha condição." Friedrich Nietzsche
Apesar da discórdia que desde logo tendo a percepcionar, em relação a frase, uma vez que de todo acredito naquilo que se designa de "amor", parece-me que se espelha nela a grande diferença entre o amor e a paixão.
A maior parte das pessoas parece ver a mesma coisa quando a mim se mostram severas diferenças. Sei que já amei, e sei também que já me apaixonei, na verdade vejo a paixão como o primeiro sentimento, que se tem antes de vir a amar alguém, quando olhamos para alguém e nos apaixonamos, nem que seja só pelo olhar. O amor não é assim, o amor é mais profundo, não surge, é antes criado e alimentado, na verdade acredito que se ama alguém da mesma maneira que se vai conhecendo esse alguém.
Quando, conhecemos uma pessoa e logo nos apaixonamos por ela, nasce um desejo, as vezes um tanto ou quanto carnal, que nos faz ficar a olhar, a observar, e nos faz querer, tentar alguma coisa; isso nunca será amor, quando e se realmente chegarmos a essa pessoa, e ainda se a paixão não morrer por um qualquer motivo, ai seremos capazes de estar com essa pessoa, de a conhecer um pouco e o amor começa a nascer, sente-se o amor, quando e apesar de nem sempre o desejo estar aceso, existe uma necessidade de estar com essa pessoa, porque na verdade, nos sentimos bem, porque gostamos da mera presença, sem necessidade de pedir mais, como se o mundo gira-se naquele lugar. E assim é o amor, um sentimento que se desenvolve a medida que se conhece alguém, e que só existe nessa mesma medida.
A paixão morre com o tempo, e volta a nascer novamente, e ao longo de uma só relação isso pode e deverá acontecer vezes e vezes sem conta.
Seja pois a paixão um rio e o amor o oceano, o rio chega ao oceano para o ajudar a encher, mas entenda-se que só por falta desse rio o oceano não ira desaparecer, porque outros rios nasceram e outras aguas contribuíram para o seu crescimento.
Posso dizer que muitas pessoas já amei, e muitas vezes me apaixonei, amo pois amigos meus, porque como disse, sinto-me bem com eles, e são pessoas fantásticas, apaixonei-me por algumas mulheres, algumas que nem de paixões passaram, pois já nem as sei.
Mas, sabemos que é amor quando somos capazes de beijar aquilo que a outra pessoa aponta como defeito próprio, deitar sobre ele a nossa cabeça, e tirar dai todo o prazer do mundo.
Assim digo, de sorriso rasgado, já tive o prazer de juntar o doce com o amargo, de me apaixonar e depois amar

domingo, 14 de março de 2010


A vida é em si mesma, uma constante busca. todo o ser que vive realmente busca alguma coisa. Uns buscam por poder, outros por dinheiro, outros por amor, há ate quem busque por emoção, mas na verdade a busca resume-se apenas à felicidade.
O grande problema é que a maior parte de nós, não sabe onde está essa pedra filosofal, capaz de transformar toda a vida vivida em um futuro persistentemente, feliz.
Em mim mesmo dou conta que já fui feliz, mas quando era não sabia que o era, dessa forma não sei dizer agora se o sou ou não, pois talvez seja só não me estou a dar conta.
Encontrei-me deitado a beira rio, e ver o rio a correr, e os patos a nadar, o sol a queimar-me a cabeça, e por momentos senti que estava realizado. Lembrei tantos momentos em que me senti assim, momentos que deixei para traz e que nunca mais viram, porque a vida nunca se repete. Apercebi.me que o mundo não vai parar e que a felicidade nunca será permanente, mas também me dei conta que de cada vez que me senti assim fui um passo na direcção certa. Tenho os meus objectivos, são grandes coisas que pretendo fazer, mas acabei por me aperceber que essas grandes coisas, sem as pequenas, não são mais que um vazio realizado.
Fernando Pessoa disse "Se te é impossível viver só, nasceste escravo" na minha loucura afirmo, que não se pode ascender a felicidade, sem que se possa partilhar-la.
Serei feliz se tiver num qualquer horizonte o pôr do sol e o brilho de um sorriso partilhado...
Louco talvez, mas quem pode afirmar que um louco não é feliz, sem ser ele mesmo um louco.

sábado, 6 de março de 2010

Olhar


"Quando se esta só muito tempo, quando nos habituamos a estar sós, quando nos treinamos para estar sós com a nossa solidão, se descobrem cada vez mais coisas em todo o lado, onde para os outros não existe nada"
Não sei se estarei só a muito tempo, mas as vezes sinto-me como se estivesse numa solidão prolongada, sem fim a vista, e nesses momentos pareço, de facto, ser capaz de ver para alem do mundo, do vulgar lugar, e pareço descobrir coisas novas onde só existem as mesmas enfadonhas velharias...é como se a solidão nos obrigasse a olhar um pouco mais fundo, e de repente somos seres sozinhos mas capazes de apreciar uma simples brisa que nos toca a cara, a mesma que tanta vez o fez sem que percebêssemos o quanto sabe bem o seu beijo.
E assim as vezes olho, e sou capaz de perceber, a beleza da chuva a cair, ou de uma criança a correr feliz no meio da rua, até a beleza da paisagem que se avista da varanda e que sempre esteve ali durante anos a fio sem que ninguém a olha-se.
Sei que isto realmente acontece, porque na falta de alguém olhamos para tudo com uma esperança diferente, talvez a de encontrarmos uma qualquer pessoa que nos olhe de volta, mas no meio de tal procura, deparamos-nos com a beleza do que sempre esteve nos lugares que em nada mudaram.
Por momentos torna-se bela a infelicidade de estar só.
Agora penso, que de cada vez que te olhei, devo ter falhado. Falhei quando olhava para ti, certamente porque não era capaz de te ver com este olhar que agora tenho.
Na verdade sei que um dia fui capaz de percepcionar-te assim, no dia em que te vi pela primeira vez, no mesmo dia em que me apaixonei por ti... Vi-te com estes olhos sozinhos que agora tenho, e sim, lembro-me que, possuías de uma beleza única, que em ti nunca se irá perder....e tu olhaste-me de volta, e de-repente a minha solidão desapareceu...
Um dia ter deixei de te olhar, e de ver tudo isso que tu realmente és...deixei que o tempo fecha-se os meus olhos e transformei-me em pedra.

segunda-feira, 1 de março de 2010

a ignorancia e a felicidade


É estranho o mundo em que me vejo a viver, olho a minha volta e tudo o que vejo é gente parada, alguns com uma força tremenda e ainda assim com uma quietude mórbida de quem nada vai fazer. E eu, bem eu as vezes deixo-me levar nesta corrente que me arrasta. Nem sempre me sinto com forças para nadar.
Sou um ser petrificado, como uma gargula a espera que a noite caia para acordar, e fico a olhar para aquela luz em que um dia vivi, com saudades do tempo que já la vai. É certo que tenho agora que aprender a viver na escuridão da noite, mas um dia voltarei a sentir o sol a queimar-me a cara, e nadarei fortemente contra esta corrente nocturna e turbulenta em que me arrasto.
No entanto, e enquanto esse dia não chega, por vezes, encosto-me a algumas ilhas no meio do rio, para descansar, aproveito para repor energias, e vejo tolos como eu que se arrastam nas águas e se deixam levar. Será que também eles têm consciência que estão a ser arrastados? Na verdade parecem tão felizes, chego a pensar que foram sempre gargulas, que nunca viram o sol...
A ser assim poderia dizer-se que a ignorância é felicidade, mas na verdade e contrariando essa ideia, julgo que aquele que ignora que o sol existe, não é feliz, apenas se limita a viver arrastado sem conhecer realmente o sol que brilha na margem deste triste rio.

"A espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que eu quero, mas a de não fazer o que eu não quero" Rousseau
É de facto mau pensar que podendo fazer-se tudo o que se quer, as vezes se faz o que não se quer fazer. Pensar que tantas vezes o fiz, mesmo sem querer. por vezes o mundo puxa-nos, e tem uma força superior a nós, como se de imperativos viéssemos, coisas que querendo ou não acabamos por fazer. Mas na verdade, de todas as coisas más que fiz, tive em quase todas elas escolhas, hipótese de não as as fazer, mas a fraqueza de mim se apoderou, e nos mesmos erros já cometidos voltei a cair.
é verdade que a felicidade e também a liberdade esta no podermos dizer NÃO, e não mesmo.
De facto apodero-me da frese de Rousseau porque em mim se afigura como verdade, e é verdade que preciso de fazer o que quero, e acima de tudo não fazer o que não quero, apesar de tantas vezes o mundo me abrir esses caminhos inicialmente brilhantes, mas onde a luz raramente tende a permanecer, dando lugar a mais profunda escuridão.
Olha para mim, bem para o fundo dos meus olhos e diz-me, acreditas mesmo que a felicidade esta em fazer tudo o que se pode, ou escolher o que se faz? já acreditei que só me arrependia daquilo que não fazia, mas agora sei que me arrependo também de coisas que fiz. vou cometer mais erros, e tu também mas, espero que, um dia me digas, e eu pense o mesmo mim:
Cheguei ao cimo da montanha e que belo foi o meu caminho