segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nada


"Não é necessário sair de casa. Permanece na tua mesa e ouve. Não ouças apenas, mas espera. Não esperes apenas, mas fica sozinho em silêncio. Então o mundo apresentar-se-a desmascarado. Em êxtase, dobrar-se-a sobre os teus pés." Franz Kafka
Tudo começa com nada, no silencio, aquela quietude que se apresenta, e sobre a qual se pensa vezes e vezes sem conta. O nada, o vazio de uma sala abandonada de vida, de um espelho sem reflexo...
Muitas vezes dou comigo assim, nesse lugar, e sou ai um ser despido, que tudo pode pensar e dizer...jamais alguém vai ouvir. É nesses momentos de nada que se pensa sobre tudo. Como é bom voar nos pensamentos e nos sonhos, mesmo com a consciência de que alguns já mais se realizarão, mas aos quais nunca faltará a força de acreditar. "o sonho comanda a vida" e nos somos seus escravos; escravos do nada, que temos, e do tudo que queremos ter.
Ainda assim, contemplo o vazio de uma folha de papel, na qual se pode escrever livremente, sem porquê; e assim deveria viver todo o ser, livre para escrever, como quem escreve para ninguém ler; desta forma, talvez quando alguém lê-se, e ama-se não amaria um nada criado, mas antes um tudo gerado e verdadeiro....

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"O suicídio"


Deixei-me ficar a olhar para ti, enquanto vertias lágrimas, de tristeza e desilusão, olhava para ti como se nada pudesse fazer, mesmo sabendo que era por mim que assim estavas...não quis chorar ao teu lado, tudo porque quem se mata, não chora, apenas morre. Eu matei-me, a mim primeiro e a ti depois, por isso cheguei junto a ti, já morto, e não chorei, porque os mortos não choram, são as pessoas que choram por eles... Porque me matei? porque a vida virou-se ao contrario, e a minha cabeça não foi capaz de a virar novamente,e sim é verdade também acreditei que existia vida para la da morte, Mas foi o que sempre me disseram, lembro minha mãe a dizer "quando as pessoas morrem vão para o céu"....
Que céu este, nem inferno é, acho que fiquei no meio, matei-me e vivo agora para castigo...recordo as tuas lágrimas, e a falta das minhas, que vêm agora tardiamente...
Agora sou eu e eu e eu e eu e eu e só eu, com o mundo a minha volta, as vezes ao meu lado,e sim as vezes a falar comigo e eu a ouvir mas não me sinto pessoa no meio da multidão...
Só; que boa companhia que é a solidão, amiga, e ouvinte errante, o refugio de todos os tolos.......

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti"


Disse Nietzsche;
com toda a razão, que lhe podemos atribuir, de facto se olhares por muito tempo para alguma coisa de terrível essa mesma coisa olhara para ti. Afasta de ti tudo o que pode ser mau, porque na verdade tu podes ser melhor que isso.
As vezes é difícil afastarmos-nos do abismo, e tão fácil cair nele, ele parece tão doce... quantas vezes tomamos o caminho mais fácil, e é óptimo enquanto se caminha, mas no fim, voltamos ao mesmo lugar.
Ambos sabemos que assim é, mas os teus braços são sempre tão quentes e ternos que apetece sempre voltar a esse lugar que leva a lado nenhum, mas no qual me sinto tão bem.
Sim eu sei que és o meu abismo, e que quando sair o mundo não mudou nada e eu não cheguei a lado nenhum...é por isso que não te consigo amar. Porque quero outra coisa, apesar de o teu abraço ser...a minha alma não é...
Como eu queria que não te sentisse como um abismo, como queria ter alguém para amar...mas o isso não se quer, apenas se tem.
de qualquer forma será sempre bom saborear, o sabor amargo, do vazio...
"the sweet is never so sweet without the sour"

As vezes dou comigo a pensar, no que é mesmo a vida, e no que realmente quero dela...percebo depois que quero agora gozar um pouco do que tenho, ou do que não tenho, e sonhar com o que um dia quero vir a ter.
Hoje quero viver, mesmo que as vezes não saiba bem o que isso é, é bom sentir que sou feliz as vezes, mas esse sentimento passa tão rápido, que logo sinto um vazio enorme. Mais tarde penso que poderia ter feito muito mais e de facto podia, mas não sei se realmente queria. quando penso no que realmente é a vida, gosto de pensar que é um caminho para algum lado, no qual o que realmente importa não é o lugar no fim desse caminho, mas sim o caminho em si mesmo. Como se a vida vale-se por si mesma e o que importa é o que nela fazemos.
Realmente não sei se há um lugar depois da vida, mas quero, acreditar que quando estiver perto do destino, vou poder respirar, e olhar para traz com um leve sorriso.
Sou um sonhador nato mas com medo de sonhar. Quero voar mas tenho medo de me atirar do precipício.
Os sonhos que construí, junto com os que destruí, construíram-me;
Não sou mais que o resultado dessa construção: e assim se vive a vida, essa, que na verdade não sei bem o que é.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

justiça a mim


Pequei contra mim
todas as vezes que me retraí
e convites, desejos e vontades que recusei
E ao passar do pensamento ao acto
pequei por omissões
E no dia do juízo final...
arguido e juiz de mim mesmo
Declarar-me-ei pecador
Mas alegarei em minha defesa
as vezes em que não me calei
as vezes em que não omiti
e soltando desejos e vontades
Pratiquei todos os actos pensados
E conheci o Paraíso...
e nele me redimi

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O que é o amor?


"fala comigo, que se passa?... em que estavas a pensar à pouco, estás comigo, mas tens a cabeça em outro lugar!!! que te chateia? porque não falas comigo?"
Assusta-me a tua insistência em querer perceber-me. Porque me queres, porque me chamas depois de tudo, não me ames, bate-me, afasta-me, atira-me para longe... O que eu quero é cair, trincar o ferro, para me levantar sozinho depois, não quero apoios, não quero sonhos para ter; quero apenas um mundo livre, onde nada me prenda e onde possa cair, chorar e levantar-me. Talvez depois disso te queira...
"eu fico a espera que voltes"
Mas não devias goza um pouco de ti, devias olhar para ti as vezes, e perceber quando vale ou não, a pena esperar...
Não quero que me amem, prefiro que me odeiem, ou simplesmente ignorem, quero ser eu a correr atrás para variar, quero ver se tenho força para o fazer...
Já amaste? eu já, e é óptimo. Não há nada que preencha tanto a alma como o amor; e o que é o amor? Eu acredito, que cada pessoa o define de maneira diferente, e que quando se ama é se capaz de criar uma definição única. Quando amei disse que o amor era como uma borboleta na qual cada pessoa era uma das assas que batem de forma ordenada para um voo perfeito, just love and fly, e sim o bater de asas de uma simples borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo; ridículo? "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas... Mas afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas"
Um dia deixei de bater a minha asa e fiz a borboleta cair...desde então, ainda não fui capaz de arranjar outra definição para amor. E tenho medo de quem, agora, diz que me ama, porque sei que nenhuma delas alguma vez foi capaz de, sequer, pensar no que é o amor.
E tu já amaste?
Então o que é o amor???

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Palavras para ti, que nunca vais ouvir


Sinto-me como se tivesse cometido um erro, e mesmo assim, apesar de saber que é um erro, sinto que o faria outra vez e outra vez e vezes sem conta, sinto-me como se não conseguisse mudar nada, nem que voltasse atrás no tempo e o pode-se fazer, o erro, esse seria outra vez cometido, apesar de saber que foi um erro, como uma mosca que vai em direcção a uma teia de aranha e mesmo apesar de saber que vai continua, como se o quisesse ser comida pela aranha, e isso fosse a sua vontade. Afinal ate que ponto é erro aquilo que apesar de sabermos que esta errado, o queremos fazer. É um erro correr atrás dos sonhos? Mas é o sonho que comanda a vida!!! Mas e se esse sonho quando realizado se torna um pesadelo? Queremos sair da concha, mas ela prende-nos, ela já é parte de nos, e nos dela. A vida não é um erro, mas é um erro não a viver. Apesar de tudo, aquilo que era erro, mas que soube tão bem, nunca será erro, se dele soubermos sair, como a mosca que vai para a teia da aranha, e apesar de o saber, continua, se ainda assim a aranha não a comer, a felicidade de lhe fugir nunca terá preço.

Não sei porque mas sinto-me uma mosca na tua teia, podes tudo, que me fizeste, talvez apenas o facto de existires me atrai. Mata-me primeiro, antes de me engolires, e tirar de mim tudo aquilo que eu tinha como certo, prefiro não existir a ter que o fazer num vazio em que tu não estas, e que o resto do mundo se foi na esperança, de tu teres ficado.

konw me


As vezes penso que sou feliz, mas logo desvio a ideia a de mim, como pode alguém ser feliz aqui? só um louco será feliz, saio a rua e olho para o lado, as vezes gosto do que vejo, outras vezes apetece-me perguntar "porque caminhas a meu lado?" As vezes perco o controle de mim mesmo e ai sim sou feliz por um pouco...rasgo o véu de maya que me cobre, e cai-o nu para o mundo que me recebe de braços abertos, para logo depois os fechar e me esmagar com toda a sua força. Que seria de nós, se deixássemos cair o véu, e vivêssemos sem qualquer defesa, sem ilusão!!! O mundo não era capaz de nos ter, e as nossas feridas já mais cicatrizariam. Este mundo onde se mata, sem pensar que também morremos, onde vivemos a espera que amanha seja melhor, sem nos apercebermos que o amanha começa hoje, e que hoje é o dia perfeito para viver. Não pretendo ser sempre feliz, mas pretendo gozar de quando o sou, não pretendo que me conheçam, mas pretendo dar a conhecer-me, não pretendo que me vejam mas quero que olhem para mim. Não pretendo viver de joelhos, prefiro morrer em pé