Perdi-me a pensar em ti, perdi-me tanto a pensar em ti, que quando dei por mim já não sabia onde estava. Ouvi-te, e tu falavas, a tua voz continuava a mesma, mas de repente já não eras tu, era só a tua voz, que ecoava na minha cabeça, como uma memoria perdida e desenquadrada. Tentei encontrar-te, e vi-te por de traz da vidraça da janela.
eras realmente tu, tive a sensação de sentir o teu cheiro, mas era só a minha mente a pregar partidas. Tu estavas atrás da vidraça, com um sorriso rasgado, e olhos brilhantes. Tenho a certeza que eras mesmo tu, os meus olhos nunca me enganaram.
As minhas mãos já não te podem alcançar, só aos meus olhos é permitido. Estás para la da janela, como não dei conta de saíres!?
Pareces mais bela que nunca, é o teu sorriso eu sei, foi sempre parte de ti, e eu quase me esquecia...
Ainda gritei, acho que não ouviste, é este vidro que não deixa passar nada. Sou eu que não te vi sair, ou que não sai contigo.
Estas linda, mas vou afastar-me da janela, o vidro nunca me deixara passar, e já pareço um insecto, a bater num vidro que não vê porque só é capaz de ver a luz que esta para la dele.
Sei que também a tua voz vai desaparecer, e vou deixar de te ouvir, e quando voltar à janela, provavelmente tu já não vais estar la, vais embora, afinal nem me viste; mas vou guardar a tua imagem, porque os meus olhos nunca me enganaram...

