quarta-feira, 25 de abril de 2012

Estou fechado nesta sala, o ar escasseia e torna-se cada vez menos respirável, a presença das pessoas ausentes vai ficando cada vez mais irritante, e os meus olhos não largam o lugar vazio que deixaste, e fixam-se naquela cadeira vazia da sala sem cor. mas ainda que assim seja, não me atrevo a fechar os olhos sei que se os fechar vou sentir o cheiro do shampoo dos teus cabelos negros como a noite e o perfume dos teus trapos e por breves momentos ouviria a tua voz num fundo melodioso... sim mais vale ter os olhos bem abertos já que todos os outros sentidos parecem fugir à razão sendo arrastados na corda palpitante do coração...
sei exactamente o momento em que te levantas da cadeira e te deixei ir embora, na verdade sei que fui eu que te mandei embora, e não vejo maneira de o fazer de forma diferente, não enquanto tiver os olhos abertos e olhar o teu lugar vazio. na verdade quando olho para fora da sala e te "vejo" misturada com o mar de gente que corre de um lado para o outro, talvez sentada numa outra cadeira numa outra sala qualquer. gosto de te ver feliz assim sei que sorris mesmo que os meus olhos já não te vejam e só a minha mente o possa imaginar.
quanto a mim, bem, eu fico aqui sentado mais um pouco, não vou ate ti, o meu orgulho não me permite, resta-me pois olhar a cadeira vazia que deixaste, esperar que a tua imagem finalmente se va embora para abrir as janelas deixar entrar um novo ar....
a verdade é que me sinto um louco perdido e sem animo...com vontade de fugir e nunca mais voltar, aquela vontade louca de querer que tudo fique para traz das costas e passe a ser apenas uma bela e louca recordação daquilo que tendo sido nunca chegou a ser, mais que aquilo que realmente foi...um amor que em muitos momentos foi para sempre, e que como tudo acabou.

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